— É melhor ficares já a saber com o que contas neste trabalho, no que diz respeito à figura feminina!
— É uma espantosa figura que acompanha as minhas masturbações desde os doze anos.
— É assim mesmo que gosto do meus homens, com mais carne que osso e descarados.
Riram, comeram, beberam, amaram e dormiram juntos nessa noite.
Ele saiu da casa dela manhã já alta e ficaram amigos para a vida.
Para ser mais preciso, ficaram amigos até à morte da Mae West, uns quinze anos antes do Brando.
A Mae West foi uma mulher especial. Nascida ainda no século XIX, no Brooklin, filha de um pugilista e de uma prostituta francesa ficou órfã de mãe aos três e do pai aos cinco. Com seis anos já subia ao palco para cantar, dançar e entreter.
Cresceu na Broadway onde fez de tudo. Nos anos vinte, escrevia, produzia, representava, cantava e dançava nas próprias peças.
Numa América puritana, cumpriu pena de prisão por escrever, falar e cantar sobre sexo, liberdade e hipocrisia.
Já depois de fazer quarenta vai para Hollywood com o advento do sonoro e assina um contrato milionário.
Simultaneamente uma eminência temida e uma outsider, o seu corpo era e si mesmo o símbolo da sexualidade.
Dizia: enquanto me olham para as mamas, eu faço—lhes a radiografia à carteira e decidido quanto me vão pagar.
O peito exuberante, deu o nome aos coletes salva—vidas inventados para os aviadores durante a segunda guerra.
Directa, frontal e sem o menor vestígio de papas na língua, na noite em que dormiu com o Marlon Brando deu-lhe um sábio conselho:
—Ouve rapazinho, neste nosso negócio de putas e filhos delas, guarda só para ti o perfume dos teus triunfos, porque o fedor dos teus peidos, quer tu queiras ou não queiras será sempre público!
