quinta-feira, 16 de abril de 2020

Mae West -- Entre o Perfume e o Fedor
















Foi no início dos anos cinquenta que a Mae West convidou o Marlon Brando para ir lá a casa. O rapaz tinha vintes e tais e era um sucesso no teatro e cinema. Para visitar a Mae West o Marlon tomou banho e vestiu um fato, duas coisas que não gostava especialmente de fazer e que guardava para as ocasiões especiais. Ainda não se conheciam pessoalmente e já se admiravam. Quando ele entrou na casa dela, conduzido pelo motorista e eventual amante de Mae West, ela, ao contrário do que era habitual, levantou—se para o receber. Quis que ele olhasse para ela e pudesse admirar o seu rabo e peito, coisas das quais se orgulhava. Tinha cerca de sessenta anos. Rindo a sua gargalhada de marujo, provocou: 
— É melhor ficares já a saber com o que contas neste trabalho, no que diz respeito à figura feminina! 
 — É uma espantosa figura que acompanha as minhas masturbações desde os doze anos. 
— É assim mesmo que gosto do meus homens, com mais carne que osso e descarados. 
Riram, comeram, beberam, amaram e dormiram juntos nessa noite. 
Ele saiu da casa dela manhã já alta e ficaram amigos para a vida. 
Para ser mais preciso, ficaram amigos até à morte da Mae West, uns quinze anos antes do Brando. 
A Mae West foi uma mulher especial. Nascida ainda no século XIX, no Brooklin, filha de um pugilista e de uma prostituta francesa ficou órfã de mãe aos três e do pai aos cinco. Com seis anos já subia ao palco para cantar, dançar e entreter. Cresceu na Broadway onde fez de tudo. Nos anos vinte, escrevia, produzia, representava, cantava e dançava nas próprias peças. 
Numa América puritana, cumpriu pena de prisão por escrever, falar e cantar sobre sexo, liberdade e hipocrisia. Já depois de fazer quarenta vai para Hollywood com o advento do sonoro e assina um contrato milionário. Simultaneamente uma eminência temida e uma outsider, o seu corpo era e si mesmo o símbolo da sexualidade. 
Dizia: enquanto me olham para as mamas, eu faço—lhes a radiografia à carteira e decidido quanto me vão pagar. 
O peito exuberante, deu o nome aos coletes salva—vidas inventados para os aviadores durante a segunda guerra. Directa, frontal e sem o menor vestígio de papas na língua, na noite em que dormiu  com o Marlon Brando deu-lhe um sábio conselho: 
—Ouve rapazinho, neste nosso negócio de putas e filhos delas, guarda só para ti o perfume dos teus triunfos, porque o fedor dos teus peidos, quer tu queiras ou não queiras será sempre público!