quinta-feira, 16 de abril de 2020

Ava Gardner -- Na Piscina

Ava Gardner foi considerada a mulher mais bonita do mundo. Oriunda de uma família humilde de plantadores de tabaco da Carolina do Norte, a jovem Ava teve dificuldade em singrar numa Hollywood competitiva e a abarrotar de mulheres lindas. Dizem que o seu sotaque regional dificultava a dicção. No entanto o seu porte e olhar magnético, faziam o tempo parar sempre que a Ava Gardner entrava numa sala. O primeiro grande sucesso e consagração da Ava Gardner foi no filme "Killers" em 1946, baseado num conto do Hemmingway. Uma mulher de mente aberta, com um pensamento critico em relação a Hollywood e ao próprio sistema americano, não fosse o seu elevado profissionalismo atestado por todos, não tinha sobrevivido à"caça às bruxas". Nos anos cinquenta,casou-se pela terceira vez. Desta vez com o Frank Sinatra, num amor que iria marcar ambos para o resto das suas vidas. Uma relação tumultuosa e intensa. Com altos e baixos. Separam-se e juntam-se com frequência. Em 1957, viajam juntos para Espanha, e a Ava conhece finalmente, em pessoa o Papa Hemingway. Entre os dois surge uma solida amizade produto de admiração reciproca. A coisa com o Sinatra nem sempre corria em harmonia. Longe de encontrarem a estabilidade que procuram, o Frank Sinatra entrega—se à movida noite de Madrid. A Ava envolve-se com o Dominguin, (Luis Miguel, o Matador) que conhece justamente na casa do Hemingway. O casal volta para os States separado. No inverno de 58, é numa dessas fases de separação que a Ava Garndner vai passar uma semana a Cuba em casa do Hemingway. "Para esquecer o Frank e os seus amores por uns dias" assim explicou. O escritor também está afundado numa crise matrimonial. Para se distraírem saem juntos numa Havana decadente e prestes a florir em Revolução. Ambos afogam as mágoas em quantidades navegáveis de rum. Numa daquelas noites de festa com sabor a fracasso, que apenas os que já festejaram de coração defeito, sabem do que falo, voltam ébrios para casa. Conta-se que no jardim debaixo da mangueira, aconteceu alguma coisa entre os dois. Não sabemos. Mas imaginamos que tenha sido doce como são as noites de inverno em Havana. Diz-se que a Ava Garner nadou nua na piscina. Não há certezas. Mas sabemos que depois dessa noite o Hemingway determinou que nunca mais a agua da piscina fosse mudada. As rãs cresceram no musgo que se acumulou. Uns meses depois, o Papa Hemingway a limpar a caçadeira, espalhou os miolos pelo tecto da casa que a Revolução recém parida transformaria num museu. Compreensível.